...e conhecerás todo o universo e os deuses..."
segunda-feira, 4 de março de 2013
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
O Resto é Fantasia!
Terry: Onde estou?
Calvero: Você está no meu quarto. Moro dois andares acima do seu.
Terry: O que aconteceu?
Calvero: Bem, eu vim para casa esta noite e senti cheiro de gás vindo do seu quarto. Então arrombei a porta, chamei um médico e, juntos, trouxemos você para cá.
Terry: Por que não me deixou morrer?
Calvero: Qual a pressa? Está com dores? (Terry sacode a cabeça.) É só o que importa. O resto é fantasia. Foram necessários bilhões de anos para que a consciência humana evoluísse, e você quer acabar com ela? E o milagre de toda existência? É mais importante que qualquer coisa no universo inteiro. O que as estrelas são capazes de fazer? Nada, a não ser ficar girando em seus eixos. E o Sol, lançando labaredas de mais de trezentos megamilhares de quilômetros de altura - e daí? Desperdiçando todos os seus recursos naturais. Será que o Sol é capaz de pensar? Ele tem consciência? Não, mas você sim. (Terry adormeceu de novo e ronca alto.) Perdão, engano meu!"
Luzes da Ribalta (Limelight), de Charles Chaplin (que também faz o personagem Calvero)
"A astronomia é útil porque nos eleva acima de nós mesmos; é útil porque é grande, é útil porque é bela; isso é o que se precisa dizer. É ela que nos mostra o quanto o homem é pequeno no corpo e o quanto é grande no espírito, já que nesta imensidão resplandecente, onde seu corpo não passa de um ponto obscuro, sua inteligência pode abarcar inteira, e dela fluir a silenciosa harmonia. Atingimos assim a consciência de nossa força, e isso é uma coisa pela qual jamais pagaríamos caro demais, porque essa consciência nos torna mais fortes." O Valor da Ciência (1904), de Henri Poincaré.
Lembremo-nos sempre... Nós estamos além das estrelas e todos os deuses disputam nossa atenção...
Possuímos em nós todo brilho do mundo, e nenhum fenômeno astronômico por mais impressionante que seja, é comparável ao milagre que em cada um de nós se consubstancia.
O Milagre da Consciência da Vida!
Nós somos aqueles que definem o mundo, o universo...
O nosso caminho.
O nosso caminho.
E o resto?
O Resto é Fantasia...
U.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Medo - Cinzel da Vida
Medo é a sensação de ver-se ameaçado, ter receio do que está
por vir. Medo de cair, medo de subir, medo de ficar no mesmo lugar.
Medo de arriscar, medo do que está por vir, ou daquilo que
está a nos alcançar.
É um sentimento que geralmente é associado com o não agir, com o não mudar, com o não
fazer. Muitas vezes, o medo é a grande razão pela qual nos mantemos dentro da
chamada “zona de conforto”, onde nada existe a nos ameaçar, mas também onde
nada nos ajuda a seguir em frente rumo a nossos sonhos.
Por isso muitos admiram aqueles que não temem, que são chamados de corajosos, impetuosos e valentes porque não tem medo da vida e se arriscam
por aquilo que querem.
Mas, será que os valentes, os corajosos, realmente não
tiveram, ou ainda têm, medo?
Afinal, o medo é aquilo que proporciona à pessoa um estado de alerta
demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, um sentimento que mostra todos
os perigos e resultados trágicos possíveis antes mesmo de se tentar.
E não é isso fenomenal? O medo nos ensina e, se pudermos
usá-lo como sabedoria, como uma ferramenta, podemos nos antecipar àquilo que
pode dar errado, planejando nossos passos mas sempre nos movendo à frente.
Coragem é agir com o medo a tiracolo. É ver tudo aquilo que
pode ser ruim e acreditar, se preparar e se capacitar para superar esses
obstáculos.
Vejo o medo como um cinzel, aquela ferramenta que possui numa
extremidade uma lâmina de metal, e que é usada, dentre outras coisas, para
cortar e moldar pedras, madeira, ferro, até hoje utilizada pelos escultores e
artesãos para construir suas obras primas.
Mas o cinzel não é uma ferramenta que traz resultados
satisfatórios quando utilizada sozinha. É necessário uma força aplicada sobre
si, um golpe de martelo capaz de transformar matéria em arte, em beleza, em
riqueza.
Por isso, seja também um artesão de sua vida, de seus
objetivos. Não rejeite seu medo. Aprenda com ele, escute o que ele lhe diz e,
então, confiante e preparado para superar todas as barreiras que previra com
ele, dê seu passo à frente, seu salto de fé. Crie sua lenda.
U.
Originalmente publicado em: http://www.fabriqueideias.com.br/2012/03/o-medo-cinzel-da-vida.html
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
O Sonho, o Tesouro e a Ponte
Assim diz uma história contada dentro da
doutrina hassídica (que constitui uma divisão no interior da religião judaica
ortodoxa):
“Eisik, filho de Jekel, recebeu num sonho a ordem de procurar um
tesouro exatamente em baixo da ponte que em Praga leva pra o Castelo Real.
Quando o sonho se repetiu pela terceira vez, Eisik finalmente decidiu
peregrinar até Praga.
Contudo, Eisik logo pôde notar que havia guardas que vigiavam a
ponte dia e noite, o que lhe minava a coragem para ir até lá e começar a cavar.
Mesmo assim, a cada manhã que se seguia, ele comparecia à ponte, rodeando-a até
a noite.
Finalmente, o comandante da guarda, percebendo aquele estranho
comportamento, perguntou gentilmente se ele procurava alguma coisa ou esperava
por alguém.
Eisik então contou sobre o seu sonho que o trouxera de tão
longe, para os risos do comandante que apenas lhe replicou:
‘E aí, você, pobrezinho, com seus sapatos estragados, peregrinou
até aqui só por causa de um sonho? Pois bem, quem manda confiar em
sonhos! Eu também teria que ter feito uma viagem dessa quando um sonho me
mandou ir para Krakau, cavar um tesouro em baixo do fogão na casa de um judeu
com nome Eisik, filho de Jekel. Eisik, filho de Jekel! Posso imaginar, cavando lá,
onde uma metade dos judeus se chama Eisik e a outra Jekel, em todas as casas!’
E ele continuava rindo. Eisik, por sua vez, apenas o
cumprimentou, retornou à sua casa, escavou o tesouro e construiu uma casa de
oração que batizou de Reb Eisik Reb Jekels Schul.”
Nesse conto, podemos destacar duas
mensagens importantes: A primeira, é que, como já diz o colóquio, o “Homem é do
tamanho de seus Sonhos”. Eisik, com fé, esforço e dedicação, acreditou em seu
sonho, no tesouro que confiara existir em um local tão distante.
Mas, uma breve análise poderia nos fazer
questionar ‘Ora, ao final das contas, o tesouro de Eisik não estava naquela
ponte em Praga, mas sim em sua própria casa!”.
Com certeza! Porém, será que também não
havia um tesouro em Praga, destinado ao Capitão da Guarda?
Muitas vezes valorizamos excessivamente os
resultados esperados. O sonho tem de realizar-se da exata forma com que
imaginamos.
Aos primeiros sinais de dificuldade em
nossa peregrinação, todavia, pensamos em desistir, concluindo que a vida não é
como os sonhos, que nada que vemos dormindo pode se encarnar quando estamos
acordados.
Esquecemo-nos, porém, da importância do
caminho, e de como ele nos transforma, dando-nos saberia e informações que nos
fazem, ainda que de forma diferente do “sonho perfeito”, atingir os mesmos
resultados e, por que não dizer, até mesmo melhores que os resultados sonhados.
Como Eisik conseguiria o tesouro que
encontrara em sua casa, não fosse por toda sua peregrinação até a distante
Praga? Ora, o conto é claro ao nos mostrar que o caminho sempre é necessário, a
luta, o esforço direcionado, pois, em verdade, foi apenas por desejar conseguir
seu tesouro seguindo o caminho de seus sonhos foi que Eisik conseguiu a pista,
a peça final para a conclusão de sua longa jornada, recompensando sua
dedicação, crença e esforço com o tesouro prometido em suas visões guiadas
pelas areias do sono.
E você? Está percorrendo o caminho em
busca de seu tesouro? Ou não acredita em sonhos, pensando que seu lugar é
eternamente parado em um posto de guarda em uma ponte qualquer da vida?
U.
Originalmente publicado
em: http://www.fabriqueideias.com.br/2012/01/o-sonho-o-tesouro-e-ponte.html
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Trololó

Trololó
Sou moderno na derme
De demente mente mentirosa
Rosa de um jardim chinfrim
Que esconde onde está
Chá ralo. Galo sem Sol
Atol no meio d’um veio d’água
De mágoa. À procura da cura
Que traz a paz de lá.
De cá, caído. Vendido na vida
Voando na via do céu,
Ao léu. Apóstata que aposta
No indulto do inculto que nina
Uma pantomima de rima.
Bruner de Morais Miranda
Uberlândia/MG – 18/09/2012
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Reflexos

Quem é que vence, quando a luta é consigo?
Quem é que escapa, quando a fuga é de si?
Ainda que pense, porque corre trôpego
e busca a solapa, com o peito a explodir?
E, por uma brevidade
O medo dado à curiosidade
Com o globo fita no encalço
O monstro de seus próprios passos
Quem é que escapa, quando a fuga é de si?
Ainda que pense, porque corre trôpego
e busca a solapa, com o peito a explodir?
E, por uma brevidade
O medo dado à curiosidade
Com o globo fita no encalço
O monstro de seus próprios passos
Bruner Morais
Uberlândia/MG, 23 de janeiro de 2011.
E.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Deus ou Não Deus? Essa é realmente a questão?

Vivemos em uma época curiosa.
Mais do que nunca, o mundo parece retornar às suas origens tribais de isolamento e separação ao mesmo tempo em que é difundida uma mensagem de integração e acolhimento das diferenças.
Por mais que pessoas homoafetivas, de raças minoritárias, com limitações mentais ou físicas tenham cada vez mais a proteção legal e doutrinária de que tais diferenças não excluem jamais sua condição humana, da mesma forma, mais intensa é a discriminação oriunda de fontes diversas.
Isso não acontece apenas em casos relacionados à escolha sexual ou à aparência de outro ser humano.
Ultimamente, venho sido abordado por vídeos, livros e e-mails relacionados visando me "converter". Porém, ao contrário do que eu mesmo esperava, tais tentativas de conversão não são oriundas de igrejas, templos, mosteiros ou qualquer entidade religiosa. Pelo contrário, hoje, em pleno século XXI, que se utiliza da estratégia tão comum aos grupos religiosos são os ateus.
Sua tentativa de conversão, contudo, me assusta e ofende. Acredito em um Deus, à minha maneira, mas sei muito bem que posso estar enganado e tudo pode não ser sequer uma egrégora, mas apenas um sonho coletivo sem significado ou real presença. Respeito e procuro compreender a linha de pensamento dos ateus, como também de todas as demais pessoas, independente de concordar com as mesmas ou não.
Porém, me deixa estarrecido o material de conversão que recebo atualmente, com palavras fortes e muitas vezes de baixo calão, fazendo escárnio dos textos e das pessoas que os entendem sagrados. A sensação que me acomete é de que presencio uma violência semelhante à que gerou a Cruzadas entre cristãos e sarracenos, ou que gerou o holocausto, ressalvadas as devidas proporções.
Pessoalmente odeio vídeos e quaisquer outras propostas de conversão, seja de religiosos ou ateus, simplesmente porque ambos demonstram completa ignorância sobre a linha de pensamento daqueles que desejam converter.
Se você olha para uma fórmula matemática ou para um texto estrangeiro sem conhecer seus símbolos, significados e contextos, você é incapaz de compreender o que a fórmula matemática traduz ou o que o texto significa. O mesmo acontece quando alguém lê um texto em sua língua sem compreender os símbolos e arquétipos sobre os quais ele se fundamenta.
Daí ocorre o que é comum à raça humana quando não compreende algo: ela procura rejeitá-lo e a odiá-lo.
Muitas perguntas feitas por ateus podem ser respondidas facilmente por um "religioso" verdadeiramente racional, que sabe entender o que são textos símbolicos, os que inclusivem são fatos (como o dilúvio judaico-cristão, que inclusive aparece no texto sagrado e poema épico dos sumérios de Gilgamesh e que cada vez mais parece ser confirmado - não como um dilúvio mundial, mas um absurdo tsunami naquela região, derivado de um deslizamento de um ilha vulcânica -), e o que realmente é algo decorrente de um contexto, mais semelhante a um lei de direito cabível para a organização de uma sociedade em determinada época e local, que era simplesmente lastreada na "pessoa" de um Deus, para fundamentar seu poder temporal e vinculá-lo a uma espécie de poder espiritual.
Ser um religioso (cristão, judeu, mulçumano, budista, xiita, neo-pagão, etc), um ateu ou agnóstico "inteligente" ou "racional" não é ser tolo e acreditar em bobagens, mas sim procurar a essência das sabedorias das tradições do mundo e manter a mente aberta para as possibilidades e impossibilidades. Afinal, que ignorante de outrora acreditaria que a Terra era redonda, ou que poderiam existir mais do que quatro dimensões? O ódio e o escárnio, juntamente com o preconceito e falta de respeito, tornam as pessoas cegas, como a história já comprovou.
Ademais, como o próprio Shakespeare um dia disse pela voz de Hamlet para seu amigo Horácio: "There are more things in heaven and earth, Horatio, than are dreamt of in your philosophy." (Hamlet, I.5)
Vivemos em um mistério, mas nossas opiniões sobre ele jamais devem ser motivo suficiente para que não possamos todos viver em paz, como espécie e como irmãos de caminhada por esta estrada desconhecida e sem muita luz.
R.
Mais do que nunca, o mundo parece retornar às suas origens tribais de isolamento e separação ao mesmo tempo em que é difundida uma mensagem de integração e acolhimento das diferenças.
"Eu sou eu e não consigo entender os outros. Por isso, eles são coisas que devo destruir e matar."
Por mais que pessoas homoafetivas, de raças minoritárias, com limitações mentais ou físicas tenham cada vez mais a proteção legal e doutrinária de que tais diferenças não excluem jamais sua condição humana, da mesma forma, mais intensa é a discriminação oriunda de fontes diversas.
Isso não acontece apenas em casos relacionados à escolha sexual ou à aparência de outro ser humano.
Ultimamente, venho sido abordado por vídeos, livros e e-mails relacionados visando me "converter". Porém, ao contrário do que eu mesmo esperava, tais tentativas de conversão não são oriundas de igrejas, templos, mosteiros ou qualquer entidade religiosa. Pelo contrário, hoje, em pleno século XXI, que se utiliza da estratégia tão comum aos grupos religiosos são os ateus.
Sua tentativa de conversão, contudo, me assusta e ofende. Acredito em um Deus, à minha maneira, mas sei muito bem que posso estar enganado e tudo pode não ser sequer uma egrégora, mas apenas um sonho coletivo sem significado ou real presença. Respeito e procuro compreender a linha de pensamento dos ateus, como também de todas as demais pessoas, independente de concordar com as mesmas ou não.
Porém, me deixa estarrecido o material de conversão que recebo atualmente, com palavras fortes e muitas vezes de baixo calão, fazendo escárnio dos textos e das pessoas que os entendem sagrados. A sensação que me acomete é de que presencio uma violência semelhante à que gerou a Cruzadas entre cristãos e sarracenos, ou que gerou o holocausto, ressalvadas as devidas proporções.
Pessoalmente odeio vídeos e quaisquer outras propostas de conversão, seja de religiosos ou ateus, simplesmente porque ambos demonstram completa ignorância sobre a linha de pensamento daqueles que desejam converter.
Se você olha para uma fórmula matemática ou para um texto estrangeiro sem conhecer seus símbolos, significados e contextos, você é incapaz de compreender o que a fórmula matemática traduz ou o que o texto significa. O mesmo acontece quando alguém lê um texto em sua língua sem compreender os símbolos e arquétipos sobre os quais ele se fundamenta.
Daí ocorre o que é comum à raça humana quando não compreende algo: ela procura rejeitá-lo e a odiá-lo.
Muitas perguntas feitas por ateus podem ser respondidas facilmente por um "religioso" verdadeiramente racional, que sabe entender o que são textos símbolicos, os que inclusivem são fatos (como o dilúvio judaico-cristão, que inclusive aparece no texto sagrado e poema épico dos sumérios de Gilgamesh e que cada vez mais parece ser confirmado - não como um dilúvio mundial, mas um absurdo tsunami naquela região, derivado de um deslizamento de um ilha vulcânica -), e o que realmente é algo decorrente de um contexto, mais semelhante a um lei de direito cabível para a organização de uma sociedade em determinada época e local, que era simplesmente lastreada na "pessoa" de um Deus, para fundamentar seu poder temporal e vinculá-lo a uma espécie de poder espiritual.
Ser um religioso (cristão, judeu, mulçumano, budista, xiita, neo-pagão, etc), um ateu ou agnóstico "inteligente" ou "racional" não é ser tolo e acreditar em bobagens, mas sim procurar a essência das sabedorias das tradições do mundo e manter a mente aberta para as possibilidades e impossibilidades. Afinal, que ignorante de outrora acreditaria que a Terra era redonda, ou que poderiam existir mais do que quatro dimensões? O ódio e o escárnio, juntamente com o preconceito e falta de respeito, tornam as pessoas cegas, como a história já comprovou.
Ademais, como o próprio Shakespeare um dia disse pela voz de Hamlet para seu amigo Horácio: "There are more things in heaven and earth, Horatio, than are dreamt of in your philosophy." (Hamlet, I.5)
Vivemos em um mistério, mas nossas opiniões sobre ele jamais devem ser motivo suficiente para que não possamos todos viver em paz, como espécie e como irmãos de caminhada por esta estrada desconhecida e sem muita luz.
R.
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